Vivemos um tempo de crise em nosso
Brasil. Uma situação aparentemente tranquila e sob controle começou a
desmoronar. Conhecemos os diferentes fatos geradores da situação atual. Entre
as causas destaca-se a corrupção. O Papa Francisco quando fala da corrupção
escreve: Esta praga putrefata da sociedade é um pecado grave que brada aos
céus, porque mina as próprias bases da vida pessoal e social. A corrupção
impede de olhar para o futuro com esperança, porque, com sua prepotência e
avidez, destrói os fracos e esmaga os mais pobres. É um mal que se esconde nos
gestos diários para se estender depois aos escândalos públicos. (O rosto da
misericórdia, nº 19).
Nesta situação complexa
multiplicam-se as interpretações dos acontecimentos. Os fatos e os problemas,
muitas vezes, são tratados com muita emoção. Outras vezes, é usada mais a
persuasão do que uma argumentação baseada em fatos. Todos reconhecem que a
situação é grave, por isso mesmo é tempo de ser criterioso para distinguir o
verdadeiro do falso, o fato do boato. É preciso argumentar a partir de
fundamentos constitucionais. A busca da verdade, a identificação e o julgamento
dos responsáveis são imprescindíveis.
A crise é um momento negativo e de
sofrimento para o país, pois gerou desconfortos, desconfianças, desemprego,
conflitos, tensões, desequilíbrios, injustiças e incertezas. Tem algo de
positivo neste contexto? O positivo está em trazer à superfície esquemas
criminosos escondidos que se tornaram públicos. A aparente normalidade era
ilusória e estava corroendo por dentro as instituições da nação. Indivíduos
envolvidos foram investigados, processados, julgados e condenados, e a
investigação continua.
Em segundo lugar, a crise obriga a
busca de soluções, do restabelecimento do equilíbrio, além de tornar-se uma oportunidade
de crescimento e de colocar em pauta as reformas necessárias. Ninguém pode
ficar indiferente, especialmente quem foi escolhido pela sociedade para cuidar
do bem comum. Vejo com preocupação que neste aspecto o debate e a busca de
soluções, muitas vezes, são paliativos. Comentam-se os fatos e procura-se os
culpados. A meu ver, é uma parte da solução da crise. Falta a apresentação, a
discussão e a aprovação das propostas de reforma do Estado Brasileiro. Sabemos
que estruturas inadequadas são propícias para desvirtuar pessoas e propiciam
privilégios para alguns. Leis e estruturas mais adequadas favorecem a
realização do bem comum e o controle social.
A crise que vivemos é uma
oportunidade para refletir e aprofundar quais são nossos direitos e nossos deveres
como cidadãos. Uma chance para conhecer melhor as instituições públicas, como
elas funcionam e qual a sua finalidade. Sem dúvida é uma oportunidade para
diminuir a corrupção. Concluo retornado ao Papa Francisco: para a erradicar (a
corrupção) da vida pessoal e social são necessárias prudência, vigilância,
lealdade, transparência, juntamente com a coragem da denúncia.
Dom Rodolfo Luis Weber
Arcebispo de Passo Fundo-RS
Vivemos um tempo de crise em nosso
Brasil. Uma situação aparentemente tranquila e sob controle começou a
desmoronar. Conhecemos os diferentes fatos geradores da situação atual. Entre
as causas destaca-se a corrupção. O Papa Francisco quando fala da corrupção
escreve: Esta praga putrefata da sociedade é um pecado grave que brada aos
céus, porque mina as próprias bases da vida pessoal e social. A corrupção
impede de olhar para o futuro com esperança, porque, com sua prepotência e
avidez, destrói os fracos e esmaga os mais pobres. É um mal que se esconde nos
gestos diários para se estender depois aos escândalos públicos. (O rosto da
misericórdia, nº 19).
Nesta situação complexa
multiplicam-se as interpretações dos acontecimentos. Os fatos e os problemas,
muitas vezes, são tratados com muita emoção. Outras vezes, é usada mais a
persuasão do que uma argumentação baseada em fatos. Todos reconhecem que a
situação é grave, por isso mesmo é tempo de ser criterioso para distinguir o
verdadeiro do falso, o fato do boato. É preciso argumentar a partir de
fundamentos constitucionais. A busca da verdade, a identificação e o julgamento
dos responsáveis são imprescindíveis.
A crise é um momento negativo e de
sofrimento para o país, pois gerou desconfortos, desconfianças, desemprego,
conflitos, tensões, desequilíbrios, injustiças e incertezas. Tem algo de
positivo neste contexto? O positivo está em trazer à superfície esquemas
criminosos escondidos que se tornaram públicos. A aparente normalidade era
ilusória e estava corroendo por dentro as instituições da nação. Indivíduos
envolvidos foram investigados, processados, julgados e condenados, e a
investigação continua.
Em segundo lugar, a crise obriga a
busca de soluções, do restabelecimento do equilíbrio, além de tornar-se uma oportunidade
de crescimento e de colocar em pauta as reformas necessárias. Ninguém pode
ficar indiferente, especialmente quem foi escolhido pela sociedade para cuidar
do bem comum. Vejo com preocupação que neste aspecto o debate e a busca de
soluções, muitas vezes, são paliativos. Comentam-se os fatos e procura-se os
culpados. A meu ver, é uma parte da solução da crise. Falta a apresentação, a
discussão e a aprovação das propostas de reforma do Estado Brasileiro. Sabemos
que estruturas inadequadas são propícias para desvirtuar pessoas e propiciam
privilégios para alguns. Leis e estruturas mais adequadas favorecem a
realização do bem comum e o controle social.
A crise que vivemos é uma
oportunidade para refletir e aprofundar quais são nossos direitos e nossos deveres
como cidadãos. Uma chance para conhecer melhor as instituições públicas, como
elas funcionam e qual a sua finalidade. Sem dúvida é uma oportunidade para
diminuir a corrupção. Concluo retornado ao Papa Francisco: para a erradicar (a
corrupção) da vida pessoal e social são necessárias prudência, vigilância,
lealdade, transparência, juntamente com a coragem da denúncia.
Dom Rodolfo Luis Weber
Arcebispo de Passo Fundo-RS
Arcebispo de Passo Fundo-RS
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